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A ARQUITETURA

No interior das Seis Pirâmides de Caral e como foram construídas

Sem ferramentas de metal, sem roda e sem animais de tração — como uma sociedade do Arcaico Tardio conseguiu, ainda assim, erguer seis pirâmides monumentais de terra no deserto peruano.

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Uma cidade construída em dois níveis

A área de Caral, com cerca de 60 hectares, divide-se em duas metades: a cidade alta e a cidade baixa. A cidade alta alberga as seis grandes pirâmides de plataforma e as residências adjacentes, provavelmente habitadas por uma elite ou classe sacerdotal; a cidade baixa, em terreno mais plano, acolhia habitações mais modestas. Essa disposição — arquitetura cerimonial monumental deliberadamente separada das habitações comuns, mas com vista para elas — é, por si só, evidência de uma sociedade estratificada, com autoridade organizacional para planear uma cidade, coordenar mão de obra e atribuir espaços, em vez de deixar o povoado crescer ao acaso ao longo de gerações.

Seis pirâmides, um plano

Cada um dos seis grandes complexos de Caral é construído em torno da sua própria pirâmide de plataforma escalonada, geralmente nomeada em referência a uma característica próxima: a Pirámide Mayor, a Pirámide Central, a Pirámide de la Cantera (nomeada por uma pedreira adjacente), a Pirámide Menor, a Pirámide de la Galería e a pirâmide Huanca. Cada uma ergue-se como peça central do seu próprio conjunto arquitetónico, com pátios, escadarias e salas dispostas à sua volta — formando, na prática, seis complexos cerimoniais-residenciais unidos num único plano urbano, em vez de um templo dominante com edifícios secundários dispersos à sua volta.

A Grande Pirâmide no centro

A estrutura de maiores dimensões, a Pirâmide Maior, mede aproximadamente 150 metros de comprimento, 110 metros de largura e eleva-se a cerca de 28 metros de altura — uma pegada comparável a vários campos de futebol lado a lado, erguida inteiramente em pedra e terra compactada, sem recurso a ferramentas de metal, à roda ou a animais de tração. Uma escadaria imponente sobe pela fachada até uma plataforma no topo, e na sua base encontra-se uma grande praça circular rebaixada — a combinação de massa imponente e espaço oco voltado para dentro que define o estilo monumental característico de Caral, e que os construtores andinos posteriores ecoariam durante milénios.

O truque de engenharia: os sacos de shicra

Os construtores de Caral resolveram um problema estrutural real — como elevar pesado enchimento de pedra sem que este cedesse ou se deslocasse num deserto propenso a sismos — usando shicras: sacos tecidos com juncos e caniços, cheios de pedra do campo e empilhados camada sobre camada no interior dos muros de contenção à medida que cada pirâmide subia. Como os sacos permaneciam semirrígidos em vez de formarem uma massa rígida, os investigadores sugerem que a técnica pode ter ajudado as estruturas a absorver os choques sísmicos melhor do que o enchimento sólido. Foi também o que permitiu aos arqueólogos datar as pirâmides com tanta precisão, já que os juncos orgânicos carregavam uma assinatura radiocarbónica.

As praças circulares rebaixadas

Espalhadas pelo sítio encontram-se as praças circulares rebaixadas de Caral — recintos redondos, em degraus, escavados entre um e três metros abaixo do nível do solo e com cerca de vinte a quarenta metros de diâmetro, acessíveis por escadarias estreitas. Ficam junto a várias das pirâmides, sobretudo a Pirámide Mayor, e a sua escala sugere que foram construídas para acolher reuniões muito maiores do que qualquer família ou linhagem individual — cerimónias públicas, por outras palavras, a uma escala que implica uma vida cívica e religiosa partilhada por toda a cidade, e não apenas pelas suas elites.

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